quinta-feira, 28 de maio de 2009


"Queria ser contadora de histórias,

Ou uma garimpeira de preciosidades literárias. Gostaria de saber inventar contos e dissertar sobre fadas. Queria o encantamento das letras que me são roubadas todos os dias. Dos gritos, dos desejos e dos silêncios impostos. Não queria mais pensar no que foi dito...
As palavras me faltam para falar sobre sentimentos, sobre alegrias e tristezas que beiram o igarapé dos meus olhos.

Queria ser contadora de histórias, envolver de mágica e mitos todos os versos. Encantar minhas serpentes interiores, volver ao espaço infinito de uma rua nunca por mim habitada.
Queria a fantástica sensação de ouvidos atentos e olhares curiosos. Saber fazer de minutos, horas inteiras...

Se eu fosse contadora de histórias, todos os dias inventaria uma, e contaria fazendo cada gesto, descrevendo cada detalhe para que o som, se transformasse também em sensação e sabor.
Trazendo de volta, tudo aquilo que não foi vivido."

Dani

(Quem gosta de ouvir histórias, aqui vai mais uma sugestão de filme : PEIXE GRANDE E SUAS HISTÓRIAS MARAVILHOSAS, de Tim Burton.É sobre,advinha..um contador de histórias!
O nome é um pouco estranho,mas acho que vale a pena.Na verdade acho que vale cada segundo...)

sábado, 23 de maio de 2009

Pare!Mãos ao alto!Dois e trinta é um assalto!

Terça haverá a reavaliação, e quarta a votação para ver se continua o aumento ou não.É importante mostrar aos vereadores que a população não está satisfeita com essa situação, para que levem isso em consideração quando forem votar.


Boi, boi, boi, boi da cara preta se não baixar a tarifa a gente pula a roleta!

(e todos os dias na praça da bandeira, ás 18 horas)

[Ana Hemb]


Não sou baderneiro, eu só não quero que roubem meu dinheiro!

Acredito que todos já saibam do aumento da tarifa do ônibus em Joinville, e saibam também que ninguém está satisfeito com isso.Ainda mais pelo fato de que está no plano de governo do prefeito Carlito Merss baixar o passe de ônibus, quem tiver a oportunidade, está nas páginas 25 e 26.
"(...)desculpas técnicas,  baseadas em uma planilha fornecida pela Gidion/Transtusa, empresas que exploram o transporte há mais de quarenta anos na cidade, em situação irregular, já que não passaram por processo de licitação. Nas palavras do secretário as empresas estão num “processo provisório”.(...)
Não achamos plausíveis as “justificativas” da prefeitura para dar esse aumento, entendemos que as empresas estão em situação irregular, explorando o transporte coletivo da cidade. Entendemos que em 5 meses de gestão da prefeitura pelo PT, nada foi feito para tentar mudar a lógica de exploração do transporte na cidade, muito menos para barrar o aumento, nem uma tentativa de aumentar o controle sobre as planilhas. O final dessa política de omissão e concessão é trágico: aumento da tarifa, sem mudança – o PT repete as práticas políticas das gestões passadas tanto combatidas em seu passado. (...)" Movimento Passe Livre - http://www.mpljoinville.blogspot.com

Há os conformistas, mas sempre haverá.Os que sentem-se ultrajados com esse aumento, que nem ao menos para trazer melhorias ao transporte público é, saem nas ruas para protestar.
O MPL (Movimento Passe Livre), a Frente de Luta pelo Transporte Público (a qual o MPL faz parte), grêmios estudantis, secundaristas  etc., participam dos manifestos que acontecem desde o dia 15 de maio.
De 100 a 800 pessoas (para mais) participaram e ainda participam das manifestações diárias que ocorrem nas ruas do centro da cidade.
Por ser uma manifestação pacífica e bem organizada (apesar de não possuir líderes, sendo algo bem democrático), policiais escoltam os protestantes e fecham as ruas para que a manifestação avance.
Participamos (eu, Dani e Gabi) das manifestações, e são muito tranquilas de ir, normalmente após a concentração na praça da bandeira fazemos uma passeata pelo centro, batucando, fazendo barulho e gritando e chamando a galera pra lutar contra o aumento conosco.
Continuará a ter manifestos até baixar o passe.Foi levado essa semana a câmara de vereadores o caso que está para ser reavaliado na terça feira que vem dia 26/05, as 15 hrs.Onde claro, haverá um manifesto, para mostrar que os cidadãos de Joinville estão sim, bem indignados com essa situação.
Não é porque foi decretado que não pode ser mudado.
Vem!Vem!Vem pra luta vem contra o aumento!Vem!

[Ana Hemb]

quinta-feira, 21 de maio de 2009




"Sonha e serás livre de espírito... luta e serás livre na vida."
(Che Guevara)

Dani

Abolição,pero no mucho


Abaixo coloquei trechos dos manifestos contra e pró-cotas.
Cotas são ações afirmativas temporárias, ou seja, políticas públicas que visam abrir oportunidades sociais,econômicas,educacionais e culturais a grupos que sofrem discriminação.Pode ser em reservas de vagas nas empresas,nos programas de TV e na publicidade, mas a questão mais polêmica é a reserva nas universidades.Os que são contra justificam sua posição dizendo que as cotas não atacam de frente as desigualdades socioeconômicas da população nem a falta de qualidade no ensino.Ao contrário,aumenta a divisão entre negros e brancos, "trata de forma desigual os desiguais".Os que apoiam as cotas visam não só acabar com a discriminação,mas diminuir a distância social entre negros e brancos através desse tratamento diferenciado.
Segundo a Pnad 2006,apenas 8,6% da população brasileira completa o ensino superior.Dessa parcela 78% são brancos.Negros constituem mais de 73% dos 10% mais pobres da população e apenas 12,4% do 1% mais rico.
Eu acho que para entender essas porcentagens é preciso olhar um pedaço da história do Brasil,quando os primeiros negros foram trazidos em navios negreiros no século XVI.Estima-se que 40% dos negros capturados na Africa tenham morrido antes de embarcar.Outros 15% morreram nos porões dos navios,e quando desembarcados,12% morreram nos depósitos.Mas por que usar esse tipo de regime? Bom,primeiro os europeus não tinham mão-de-obra livre o suficiente para explorar as terras conquistadas,e não usavam trabalho assalariado.E segundo porque eles não conseguiram isso dos indígenas,nem quando os jesuítas tentaram transformar-los em "bons cristãos"( além de que os brancos trouxeram doenças que os índios não tinham defesa biológica,como varíola e gripe).
Além disso,para alimentar a escrvidão do negro, a Igreja e a Coroa diziam ainda que os mesmos eram:seres inferiores,menos inteligentes e nascidos para servir.
Enquanto a Inglaterra em 1833 já havia abolido a escravatura,o Brasil proibiu definitivamente o tráfico negreiro somente em 1850.Em 1871,surgiu a Lei do Ventre Livre.Mas isso tudo não mudou muito a situação e então movimentos abolicionistas começaram a surgir em 1880.Em maio de 1888,a princesa Isabel sancionou a Lei Áurea.
Fossem livres pela lei,ou libertos pela alforria,os ex-escravos não tinham educação nem apoio para sobreviver longe dos senhores.Cerca de 1% dos 800 mil escravos libertos eram alfabetizados.O governo não tomou nenhuma atitude pra absorção dessas pessoas para a sociedade.Pelo contrário, incentivou a imigração de italianos,espanhóis,alemães...então essa parcela da população não conseguia trabalho porque não tinha estudos e não conseguia educar os filhos porque não tinha trabalho.Ou seja, inicia- se um círculo vicioso.As porcentagens dizem por sí só.O que o governo está fazendo hoje -ou melhor, desde 2001 quando a primeira universidade pública optou pelo sistema de cotas -deveria ter feito lá em 1888.Então a questão é : a favor ou contra as cotas?

Temos muito a aprender, ainda,sobre nossos próprios preconceitos e sobre como vencê-los.

Dani
MANIFESTO CONTRA AS COTAS

Trechos de "Cento e treze cidadãos anti-racistas contra as leis raciais",entregue ao Supremo Tribunal Federal


"(...)Nós,intelectuais da sociedade civil,sindicalistas,empresários e ativistas dos movimentos negros e outros movimentos sociais,dirigimo-nos respeitosamente aos juízes da corte mais alta,que recebeu do povo constituinte a prerrogativa de guardiã da Constituição, para oferecer argumentos contrários à admissão de cotas raciais na ordem política e jurídica da República.
(...)apontamos a Constituição Federal, no seu artigo 19,que estabelece:"É vedado à União,aos Estados, ao Direito Federal e aos Municípios criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si".O artigo 208 dispõe que:"O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia do acesso aos níveis mais elevados do ensino,da pesquisa e da criação artística,segundo a capacidade de cada um".Alinhada com os princípios e garantias da Constituição Federal,a Constiuição Estadual do Rio de Janeiro, no seu artigo 9, determina que:"Ninguém será privilegiado em razão de nascimento,idade,etnia,raça,cor,sexo,estado civil,trabalho rural ou urbano,religião,convicções políticas ou filosóficas,deficiência física ou mental,por ter cumprido pena nem por qualquer particularidade ou condição".
As palavras da lei emanam de uma tradição brasileira, que cumpre exatos 120 anos desde a Abolição da escravidão,de não dar amparo a leis e políticas raciais.No intuito de justificar o rompimento dessa tradição,os proponentes das cotas raciais sustentam que o princípio da igualdade de todos perante a lei exige tratar desigualmente os desiguais.
(...)Os concursos vestibulares,pelos quais se dá o ingresso no ensino superior de qualidade "segundo a capacidade de cada um",não são promotores de desigualdades,mas se realizam no terreno semeado por desigualdades sociais prévias.A pobreza no Brasil tem todas as cores.
(...)Raças humanas não existem.A genética comprovou que as diferenças icônicas das chamadas raças humanas são características físicas superficiais,que dependem de parcela ínfima dos 25 mil genes estimados do genoma humano.A cor da pele,uma adaptação evolutiva aos níveis de radiação ultravioleta vigentes em diferentes áreas do mundo,é expressa em menos de dez genes!
(...)As cotas raciais proporcionam privilégios a uma ínfima minoria de estudantes de classe média e conservam intacta, atrás de seu manto falsamente inclusivo,uma estrutura de ensino público arruinada.(...)É preciso elevar o padrão geral do ensino mas,sobretudo,romper o abismo entre escolas de qualidade,quase sempre situadas em bairros de classe média,e as escolas devastadas das periferias urbanas, das favelas e do meio rural.(...)A meta nacional deveria ser prporcionar a todos um ensino básico de qualidade e oportunidades verdadeiras de acesso à universidade."


MANIFESTO PRÓ-COTAS

Trechos do "Manifesto em defesa da justiça de constitucionalidade das cotas" entregue ao Supremo Tribunal Federal

"(...)A iniciativas de inclusão racial e social no Brasil no campo de ensino superior contam com uma história rica e complexa,embora inconclusa,que certamente pode juntar-se ao repertório de outras notáveis conquistas ao redor do mundo.A história a que nos referimos se baseia em um processo concreto de luta pela igualdade após um século inteiro de exclusão dos negros do ensino superior,e não mais na controversa ideologia do mito de uma 'democracia racial' que, de fato, nunca tivemos.
(...)A demanda por políticas compensatórias específicas para os negros do Brasil(...) insere-se na busca da justiça social em uma sociedade que historicamente se mostra racista,sexista,homofóbica e excludente.As cotas e o ProUni significam uma mudança e um compromisso ético do Estado brasileiro na superação de um histórico de exclusão que atinge de forma particular negros e pobres.Não são leis raciais, como dizem os 113 anticotas,mas um posicionamento do Estado coerente com os acordos internacionais de superação do racismo,de luta pelos direitos humanos dos quais o país é signatário.
(...)Atualmente, o país conta com mais de 20 mil cotistas negros cursando a graduação em universidades brasileiras(...).Paralelamente a esse grande movimento de inclusão racial(...),funciona desde 2005 o ProUni,que abre as portas das universidades para jobens de baixa renda, com uma porcentagem,entre eles,de negros,através de um sistema de bolsas do Ministério da Educação.Em três anos,o ProUni já acolou 440 mil bolsas e conta com mais de 380 mil alunos.
Se juntarmos os dois movimentos de abertura do ensino superior para brancos de baixa renda e para não-brancos,as cotas nas universidades públicas e o ProUni em cinco anos serão capazes de colocar quase meio milhão de estudantes negros que ingressarão no mercado ou na pós-graduação,levando consigo a esperança pessoal e familiar,num acontecimento de proporções monumentais,sem paralelo qualquer na história da sociedade brasileira.
(...)A parte do documento dedicada à genética é(...)confusa e inútil,além de contraditória para seus objetivos.Seu interesse é minar a realidade da diferença entre os seres humanos pelo fenótipo e demonstrar a mestiçagem genética que caracteriza a todos nós.Com isso,pretendem avaliar a possibilidade de que se adotem cotas para negros nas universidades ao "demonstrar" que "cientificamente" não existem negros.
E para que insistir em negar aquilo que ninguem afirma? A quem estão atacando? Não a nós,certamente,porque os defensores das cotas jamais falaram em raça no sentido biológico.Somos nós que defendemos políticas públicas para a comunidade negra,que enfatizamos ser o racismo brasileiro o resultado histórico de uma discriminação dos brancos contra as pessoas do fenótipo africano."