
Então, como devem ter percebido, há séculos que a Gabi não posta nada.
é um desabafo e um conforto."
Gabriela Schmidt
[Ana Hemb]

é um desabafo e um conforto."
Gabriela Schmidt
[Ana Hemb]
Esse dia vai entrar para a história. 20 de janeiro de 2011. Dia da divulgação dos classificados no vestibular da UFSC. Dia em que conheci o céu, sentei nas nuvens e até tomei um chá com o anjo Gabriel para pedir-lhe uma ajudinha. Pena que minha visita foi curta, e que de um salto voltei à terra, acredito que ultrapassei o chão.
Acordei às 7h do dia 20, ia acompanhar minha avó ao médico. Estava tranqüila, a divulgação do resultado não abalava meus nervos, até achei estranho. Juro que senti falta do friozinho na barriga, ele dá mais emoção aos fatos, um pouco de adrenalina não faz mal a ninguém. Aquela neutralidade em que me encontrava não tinha graça.
Procurei manter o pensamento positivo, mentalizando meu nome na lista dos aprovados, como se a positividade naquele instante pudesse transportá-lo àquela sagrada listagem.
Orei antes de sair de casa e pedi a Deus que me iluminasse e que fosse feita a sua vontade em relação ao resultado. Mas com receio, logo me ratifiquei: melhor dizendo, me ajuda a passar, Senhor!
Sai de casa por volta das 8h e 30min., e retornei às 10h. Agora não tinha mais saída. O friozinho na barriga apareceu e logo se tornou “friozão”, a saliva começou a faltar, as mãos a suarem, eu olhando para o computador, o computador olhando para mim... cri...cri...cri.
Vamos acabar com isso de uma vez por todas. www.vestibular2011.ufsc.br. Resultado oficial (por curso)... e a saliva faltando... Jornalismo. Primeiro Período. Segundo Período. E eu? Esqueceram de mim II.
Resolvi conferir meu boletim de desempenho individual. Minhas notas foram bem melhores do que as do ano passado. Logo abaixo das notas, aparecia a posição em que me encontrava no curso. 63. A universidade disponibilizava 60 vagas para o curso de jornalismo. Apenas 3 vagas me distanciavam do meu sonho. Chorei. Chorei de emoção, pois a probabilidade de entrar na 2º chamada era grande. Liguei para minha mãe e compartilhei com ela o meu choro. Havia sentido a emoção que tanto almejei. Meu sonho estava a 3 passos de mim.
Como boa menina que sou, fui curtir minha alegria e também angústia limpando a casa. O dia correu bem, sem maiores transtornos, a não ser as gordurinhas dos armários da cozinha. Odeio limpar a cozinha.
Chovia muito e decidi ligar para minha mãe. Estava ainda no centro da cidade e me notificou que havia saído do emprego. Engoli seco. A música que cantarolava enquanto fazia a faxina, deixei de cantarolar. E estou lá, pensando na vida quando de repente: Tim. Deu-me um estalo. Parei o que estava fazendo e corri ao computador. Novamente entrei no site da UFSC. Agora fui conferir a relação candidato/ vaga.
Tum, tum. Algo estranho. Parecia que começava a descer das nuvens. Total de vagas: 60. Vagas para os candidatos não participantes das ações afirmativas: 42. Queda livre. Se pudesse me enterrava em um buraco naquele exato momento. Doeu. Doeu de mais. Eu enxergava 21 cabeças na minha frente, e eu tentando ultrapassá-las. Terrível.
Agora, as lágrimas que percorriam meu rosto eram de tristeza, sentia meu futuro na universidade correr por entre os dedos, e seria difícil segurá-lo. Liguei para o meu namorado a fim de desabafar. Tentei, depois disso, retornar ao meu eixo, mas a revelação não saia da minha cabeça.
Imprevisibilidade. A vida é um piscar de olhos. Agora estão abertos, em segundos podem se fechar. E de todos os acontecimentos temos de tirar lições. Depois de tudo isso, pensei: pelo menos já tenho assunto para minha primeira crônica. Escrever é uma das coisas que me consolam.
Patricia Stahl Gaglioti
A manifestação do dia 19 reuniu cerca de 50 pessoas, segundo o blog Nozarcao. Mesmo em menor quantidade, é muito importante que os manifestos não deixem de ocorrer, que as insatisfações não se calem, e que por mais inacessível que possa parecer, estejamos próximos ao poder público, vigiando-o.
É notório que as pessoas se indignam com certas atitudes públicas que não condizem com o benefício à população, porém são poucos os que têm coragem de se pronunciar individualmente a respeito do assunto. Exemplo disso foi o megafone levado para a manifestação e aberto ao público para que se pronunciassem, e pouquíssimos o fizeram. Com exceção de dois integrantes do MPL, um menino, que deve ter menos de 10 anos, foi o que mais falou. Esperança para a futura geração.
Eu mesma estava presente e não me dispus a dizer o que o puder público merecia ouvir.
Por isso é tão importante que as pessoas se organizem e participem de movimentos, porque todos juntos temos mais força e coragem. Na população que bradava cânticos de protesto, não se distinguiam vozes, apenas se ouvia a voz da massa insatisfeita, unindo forças a plenos pulmões para garantir o direito de todos.
Temos, hoje, nas mãos a oportunidade para somarmos forças contra o aumento da tarifa de ônibus. Acontecerá, às 10h, o tuitaço nacional. Participem. Vamos juntos!
@otamanduavoador apóia essa idéia.
Patricia Stahl Gaglioti
O blog do Che foi às ruas questionar a população sobre o aumento da tarifa do ônibus. Abaixo estão algumas das respostas das pessoas entrevistadas no terminal de ônibus central e em suas proximidades. Com vocês, o respeitável público.
1) O que você acha do aumento da tarifa do ônibus?
Odair : Isso é uma palhaçada.
Cristian: Um abuso com as pessoas que trabalham e têm de tomar condução todo dia.
Denate: Péssimo.
Roberto: Está difícil assim. O prefeito prometeu que não subiria a passagem e não cumpriu. Eu não utilizo o transporte público, mas estou indignado pela população que utiliza.
Rafaela: O valor é muito alto.
2) Qual seria o valor justo da passagem de ônibus?
Cristian: O valor tinha de ser a quantia que cabe em nosso bolso, uns R$ 2,00, no máximo.
Roberto: Em torno de R$ 2,00 tanto para passagem embarcada quanto antecipada.
Rafaela: Mais ou menos R$ 2,00.
3) Pior problema do transporte público de Joinville?
Norberto: Lotação, preço e falta de horários.
Cristian: Lotação e o preço; acho que os horários ainda estão bons. O governo deveria tomar um certo controle do transporte, pois as atuais empresas estão monopolizando o sistema, e o poder público está tampando o rosto para esse problema.
Denate: Lotação.
Roberto: Olha, até que o transporte não está tão ruim, mas em certas regiões da cidade há falta de horários e também de veículos, como por exemplo, o Itinga e o Jardim Sofia.
Rafaela: Acho que a condição do transporte é boa.
4) Qual a solução para o transporte público?
Denate: Abaixar a tarifa e aumentar a quantidade de ônibus em circulação.
Roberto: Abaixar a tarifa e aumentar a quantidade de ônibus.
5) Qual a sua avaliação para o governo do Carlito Merss?
Cristian: Está decepcionando a população.
Denate: Olha, se dependesse de nós, tirávamos ele do governo.
Roberto: Está complicado. Não ofereceu nenhuma melhoria para a cidade por enquanto. Pediu à população que fizessem suas calçadas, mas as ruas estão todas esburacadas.
Entrevistados:
Odair (Linha de produção);
Cristian (Encanador);
Norberto (Linha de produção);
Roberto (Preparador de máquinas);
Rafaela (Auxiliar de produção);
Denate.
Patricia Stahl Gaglioti
Pois então meus queridos, nos rendemos à deliciosa era da Fast- Information.
DESCONFORTO O desconforto
Anda solto no mundo
E você sempre junto
E você sempre atento
Ao que menos importa
Você enche os bolsos, solta os cachorros
Tem títulos, círculos
Todos são íntimos
Todos são múltiplos, polivalentes
Ou poliglotas contentes
Não há pacote que esgote seu dia feliz
Não pensa, nem vive
O que sua boca farta diz
Você enche o peito, empina o nariz
Faz vista grossa
Enquanto almoça o que não quis
Chama a polícia por causa de um cigarro
Enquanto tira um sarro
Com a filha do melhor amigo
Onde está o perigo?
Onde está o que importa?
Na marca que você gosta
Ou na ferida que você sopra?
Se joga mas não se mostra
Reclama mas não se toca
Que o desconforto anda solto no mundo
E o corte é profundo
Bem lá no fundo de sua alma
(John) Não bate de frente, não trinca com a gente
Esbanja dinheiro, como o Presidente
Na banca se sente, quebrou a corrente
Sujeira na mente, infelizmente.
(RH) Nâo desce do salto não sai do Senado
Não vem para a rua, toma enquadro
Sem roupa da moda, na TV fofoca
Violência e crime não te incomondam
O carro é blindado, novo, importado
E pouco lhe importa quem morre do lado
Whisky no gelo, ouro de tolo
Tanto desconforto na vida do povo
Rita Lee - Zélia Duncan
Incidental: RAP Irritação (Johnny MC Rappin Hood)
Essa é uma pequena demonstração do transtorno que a chuva causou na cidade de Joinville. A única pergunta que deixo no ar é: cadê o poder público?
Patricia Stahl Gaglioti