
Fonte: Massa Crítica Joinville

No dia 03/12 (dia em que o JEC foi campeão da Serie C), o prefeito Carlito Merss anunciou um novo aumento na passagem do transporte coletivo da cidade, passando de R$2,55 para R$2,70 (o aumento da passagem embarcado não foi divulgado).
As empresas Gidion e Transtusa protocoloram na Seinfra o pedido de reajuste da tarifa de ônibus para R$ 2,91. Segundo Moacir Bogo, além da atualização dos custos do sistema, foi acrescido no valor um reajuste para os motoristas.
O pedido das concessionárias servirá para marcar posição. O chefe de gabinete Eduardo Dalbosco reafirmou que a Prefeitura só concederá a inflação. “Isso não inviabilizará o sistema e estará dentro da realidade do usuário”, diz.
[Blog do Saavedra, 06/12/11 ClicRBS]
A realidade que qual usuário? Porque gastar quase ou mais de R$200,00 por mês de passagem não ta dentro da realidade de muita gente...
[Ana Luiza Hemb]
Dia 30, à tarde, sai da faculdade, às 14h15, para resolver algumas coisas na rua. E durante meu trajeto até a rua XV de Novembro, reparei a presença de malabaristas nos semáforos - um na Princesa Isabel, outro na João Colin e outro ainda na Blumenau. Por isso, fui pensando pelo caminho que seria muito interessante entrevistar algum deles, a fim de descobrir sua história, que convenhamos, aparentemente não é muito parecida com a da maioria da massa urbana.
Quando voltei para a escola, apenas o malabarista que estava na Princesa Isabel continuava lá. Entrei no Bom Jesus, pensei um pouco em como abordá-lo, falei com a professora Maria Elisa, peguei uma câmera no estúdio de foto e sai. Uma chuva que Deus mandava! Antes de atravessar a rua, na Princesa Isabel, vi que dois malabaristas estavam sentados em frente a uma loja de calçados. Atravessei e fui me aproximando. Quando cheguei perto, me apresentei dizendo que era estudante de jornalismo e gostaria de fazer uma matéria com eles. Os dois aceitaram.
Ao me sentar ao lado de um deles, o que estava mais distante disse algo que não entendi, mas percebi que não era brasileiro. Me disse, então, que era uruguaio. O outro, argentino.
Nem me lembro qual pergunta fiz a eles primeiro, só sei que não anotei nada em meu bloquinho, apenas seus nomes: Juan Pablo, 22 anos, argentino, e Maximiliano Danyelo, 24 anos, uruguaio. A entrevista se tornou uma conversa informal, e no fim das contas também fui entrevistada.
Maximiliano disse que entre os 17 e 18 anos saiu de casa com o objetivo de conhecer a América Latina. O propósito era viajar e depois voltar para casa, terminar o ensino médio e fazer faculdade, mas a aventura agradou tanto que voltar para o Uruguaio e levar a vida que todos levam não era mais seu objetivo. Segundo ele, quando saiu de casa tinha no bolso o equivalente a R$ 20,00. E de cidade em cidade, um trabalho aqui outro ali, passou por Bolívia, Chile e Brasil – devo estar me esquecendo de algum outro local. Ele me contou que foi casado com uma baiana durante dois anos, mas definitivamente, as regras já não o agradavam mais. E, por sinal, elogiou muito os baianos, muito acolhedores e humildes.
Chegou a voltar para o Uruguai, ficou um mês lá e há um mês está na estrada de novo. Passou por Itajaí, onde trabalhou com o companheiro argentino em uma obra por 20 dias, e há três chegou à cidade das Flores. Entusiasmados, os dois falaram também de Floripa, cidade maravilhosa! Como se eu não soubesse! Mas, confesso que senti um certo constrangimento de perguntar à Maximiliano como era a Bahia. Poxa, eu, brasileira, vou perguntar a um uruguaio como é um estado do meu país?! Deixa pra lá...
Intrigada, perguntei aos colegas onde eles dormiam. Me disseram, então, que um dia era em albergue, no outro em algum hotel e às vezes no pátio da igreja. Preferiam comer bem e dormir como desse. Inclusive, no dia anterior ao de nossa conversa, tinham dormido na igreja. Outra pergunta que não podia faltar: quanto vocês ganham??!! Um certo suspense, umas palavras indecifráveis e com uma certa insistência saiu: entre R$ 30,00 R$ 35,00 por dia.
E em relação aos seus pais? O que pensavam sobre esse estilo de vida? Maximiliano disse que o pai não concorda muito com a vida do filho, mas foi a opção dele... “Fazer-se-á” o quê? Não posso falar com convicção, mas parece que Juan não fala com a família. Quando sobra uma grana, o uruguaio vai em uma Lan House e fala com os familiares.
Fiquei surpresa em ver que, principalmente, Maximiliano era bem informado. Quando me questionou sobre a faculdade que fazia, e informou que seu irmão é jornalista do maior jornal do Uruguai, comentei que era bolsista, não pagava a faculdade, e perguntei a ele se conhecia o Prouni. Para minha surpresa, não só conhecia como comentou o problema que aconteceu, no ano passado, com as provas do ENEM.
E o futuro? Sólo Dios sabe! Mas, Maximiliano disse que ainda pensa em cursar uma faculdade, quem sabe antropologia. Sabemos que um trabalho de pesquisa envolve teoria e prática, e segundo o uruguaio, a parte prática ele já desenvolveu, falta elaborar sua teoria. O amanhã para Juan ainda é incerto. Vamos viver a vida, cada um da sua maneira, com mais ou menos aventuras... escolham!!
Estoy de vuelta, personas!
[Refrão ]
[Verso 2]
[Refrão ]
[Refrão ]
Fui no show do Projota e do Rashid ontem, muito bom mesmo, a galera cantando a plenos pulmões e os caras emocionados lá encima do palco cantando junto, suando junto, na adrenalina das letras passando a sua verdade.Eu só conseguia pensar a cada frase: "pode crer!", porque tem gente que acha que Rap só fala de desigualdade, mas eu achei um outro lado desse conceito, o lado que o cara filosofa pra caralho nas suas rimas.Botei fé brother!
Foco, Força e Fé.
[Ana Hemb]
Marcelo D2
Acho perfeitamente válida a idéia.
[Ana Hemb]

é um desabafo e um conforto."
Gabriela Schmidt
[Ana Hemb]
Esse dia vai entrar para a história. 20 de janeiro de 2011. Dia da divulgação dos classificados no vestibular da UFSC. Dia em que conheci o céu, sentei nas nuvens e até tomei um chá com o anjo Gabriel para pedir-lhe uma ajudinha. Pena que minha visita foi curta, e que de um salto voltei à terra, acredito que ultrapassei o chão.
Acordei às 7h do dia 20, ia acompanhar minha avó ao médico. Estava tranqüila, a divulgação do resultado não abalava meus nervos, até achei estranho. Juro que senti falta do friozinho na barriga, ele dá mais emoção aos fatos, um pouco de adrenalina não faz mal a ninguém. Aquela neutralidade em que me encontrava não tinha graça.
Procurei manter o pensamento positivo, mentalizando meu nome na lista dos aprovados, como se a positividade naquele instante pudesse transportá-lo àquela sagrada listagem.
Orei antes de sair de casa e pedi a Deus que me iluminasse e que fosse feita a sua vontade em relação ao resultado. Mas com receio, logo me ratifiquei: melhor dizendo, me ajuda a passar, Senhor!
Sai de casa por volta das 8h e 30min., e retornei às 10h. Agora não tinha mais saída. O friozinho na barriga apareceu e logo se tornou “friozão”, a saliva começou a faltar, as mãos a suarem, eu olhando para o computador, o computador olhando para mim... cri...cri...cri.
Vamos acabar com isso de uma vez por todas. www.vestibular2011.ufsc.br. Resultado oficial (por curso)... e a saliva faltando... Jornalismo. Primeiro Período. Segundo Período. E eu? Esqueceram de mim II.
Resolvi conferir meu boletim de desempenho individual. Minhas notas foram bem melhores do que as do ano passado. Logo abaixo das notas, aparecia a posição em que me encontrava no curso. 63. A universidade disponibilizava 60 vagas para o curso de jornalismo. Apenas 3 vagas me distanciavam do meu sonho. Chorei. Chorei de emoção, pois a probabilidade de entrar na 2º chamada era grande. Liguei para minha mãe e compartilhei com ela o meu choro. Havia sentido a emoção que tanto almejei. Meu sonho estava a 3 passos de mim.
Como boa menina que sou, fui curtir minha alegria e também angústia limpando a casa. O dia correu bem, sem maiores transtornos, a não ser as gordurinhas dos armários da cozinha. Odeio limpar a cozinha.
Chovia muito e decidi ligar para minha mãe. Estava ainda no centro da cidade e me notificou que havia saído do emprego. Engoli seco. A música que cantarolava enquanto fazia a faxina, deixei de cantarolar. E estou lá, pensando na vida quando de repente: Tim. Deu-me um estalo. Parei o que estava fazendo e corri ao computador. Novamente entrei no site da UFSC. Agora fui conferir a relação candidato/ vaga.
Tum, tum. Algo estranho. Parecia que começava a descer das nuvens. Total de vagas: 60. Vagas para os candidatos não participantes das ações afirmativas: 42. Queda livre. Se pudesse me enterrava em um buraco naquele exato momento. Doeu. Doeu de mais. Eu enxergava 21 cabeças na minha frente, e eu tentando ultrapassá-las. Terrível.
Agora, as lágrimas que percorriam meu rosto eram de tristeza, sentia meu futuro na universidade correr por entre os dedos, e seria difícil segurá-lo. Liguei para o meu namorado a fim de desabafar. Tentei, depois disso, retornar ao meu eixo, mas a revelação não saia da minha cabeça.
Imprevisibilidade. A vida é um piscar de olhos. Agora estão abertos, em segundos podem se fechar. E de todos os acontecimentos temos de tirar lições. Depois de tudo isso, pensei: pelo menos já tenho assunto para minha primeira crônica. Escrever é uma das coisas que me consolam.
Patricia Stahl Gaglioti
A manifestação do dia 19 reuniu cerca de 50 pessoas, segundo o blog Nozarcao. Mesmo em menor quantidade, é muito importante que os manifestos não deixem de ocorrer, que as insatisfações não se calem, e que por mais inacessível que possa parecer, estejamos próximos ao poder público, vigiando-o.
É notório que as pessoas se indignam com certas atitudes públicas que não condizem com o benefício à população, porém são poucos os que têm coragem de se pronunciar individualmente a respeito do assunto. Exemplo disso foi o megafone levado para a manifestação e aberto ao público para que se pronunciassem, e pouquíssimos o fizeram. Com exceção de dois integrantes do MPL, um menino, que deve ter menos de 10 anos, foi o que mais falou. Esperança para a futura geração.
Eu mesma estava presente e não me dispus a dizer o que o puder público merecia ouvir.
Por isso é tão importante que as pessoas se organizem e participem de movimentos, porque todos juntos temos mais força e coragem. Na população que bradava cânticos de protesto, não se distinguiam vozes, apenas se ouvia a voz da massa insatisfeita, unindo forças a plenos pulmões para garantir o direito de todos.
Temos, hoje, nas mãos a oportunidade para somarmos forças contra o aumento da tarifa de ônibus. Acontecerá, às 10h, o tuitaço nacional. Participem. Vamos juntos!
@otamanduavoador apóia essa idéia.
Patricia Stahl Gaglioti
O blog do Che foi às ruas questionar a população sobre o aumento da tarifa do ônibus. Abaixo estão algumas das respostas das pessoas entrevistadas no terminal de ônibus central e em suas proximidades. Com vocês, o respeitável público.
1) O que você acha do aumento da tarifa do ônibus?
Odair : Isso é uma palhaçada.
Cristian: Um abuso com as pessoas que trabalham e têm de tomar condução todo dia.
Denate: Péssimo.
Roberto: Está difícil assim. O prefeito prometeu que não subiria a passagem e não cumpriu. Eu não utilizo o transporte público, mas estou indignado pela população que utiliza.
Rafaela: O valor é muito alto.
2) Qual seria o valor justo da passagem de ônibus?
Cristian: O valor tinha de ser a quantia que cabe em nosso bolso, uns R$ 2,00, no máximo.
Roberto: Em torno de R$ 2,00 tanto para passagem embarcada quanto antecipada.
Rafaela: Mais ou menos R$ 2,00.
3) Pior problema do transporte público de Joinville?
Norberto: Lotação, preço e falta de horários.
Cristian: Lotação e o preço; acho que os horários ainda estão bons. O governo deveria tomar um certo controle do transporte, pois as atuais empresas estão monopolizando o sistema, e o poder público está tampando o rosto para esse problema.
Denate: Lotação.
Roberto: Olha, até que o transporte não está tão ruim, mas em certas regiões da cidade há falta de horários e também de veículos, como por exemplo, o Itinga e o Jardim Sofia.
Rafaela: Acho que a condição do transporte é boa.
4) Qual a solução para o transporte público?
Denate: Abaixar a tarifa e aumentar a quantidade de ônibus em circulação.
Roberto: Abaixar a tarifa e aumentar a quantidade de ônibus.
5) Qual a sua avaliação para o governo do Carlito Merss?
Cristian: Está decepcionando a população.
Denate: Olha, se dependesse de nós, tirávamos ele do governo.
Roberto: Está complicado. Não ofereceu nenhuma melhoria para a cidade por enquanto. Pediu à população que fizessem suas calçadas, mas as ruas estão todas esburacadas.
Entrevistados:
Odair (Linha de produção);
Cristian (Encanador);
Norberto (Linha de produção);
Roberto (Preparador de máquinas);
Rafaela (Auxiliar de produção);
Denate.
Patricia Stahl Gaglioti
Pois então meus queridos, nos rendemos à deliciosa era da Fast- Information.
DESCONFORTO O desconforto
Anda solto no mundo
E você sempre junto
E você sempre atento
Ao que menos importa
Você enche os bolsos, solta os cachorros
Tem títulos, círculos
Todos são íntimos
Todos são múltiplos, polivalentes
Ou poliglotas contentes
Não há pacote que esgote seu dia feliz
Não pensa, nem vive
O que sua boca farta diz
Você enche o peito, empina o nariz
Faz vista grossa
Enquanto almoça o que não quis
Chama a polícia por causa de um cigarro
Enquanto tira um sarro
Com a filha do melhor amigo
Onde está o perigo?
Onde está o que importa?
Na marca que você gosta
Ou na ferida que você sopra?
Se joga mas não se mostra
Reclama mas não se toca
Que o desconforto anda solto no mundo
E o corte é profundo
Bem lá no fundo de sua alma
(John) Não bate de frente, não trinca com a gente
Esbanja dinheiro, como o Presidente
Na banca se sente, quebrou a corrente
Sujeira na mente, infelizmente.
(RH) Nâo desce do salto não sai do Senado
Não vem para a rua, toma enquadro
Sem roupa da moda, na TV fofoca
Violência e crime não te incomondam
O carro é blindado, novo, importado
E pouco lhe importa quem morre do lado
Whisky no gelo, ouro de tolo
Tanto desconforto na vida do povo
Rita Lee - Zélia Duncan
Incidental: RAP Irritação (Johnny MC Rappin Hood)
Essa é uma pequena demonstração do transtorno que a chuva causou na cidade de Joinville. A única pergunta que deixo no ar é: cadê o poder público?
Patricia Stahl Gaglioti
Texto:
Patrícia Stahl Gaglioti
Edição: